HISTÓRIA DO BRASIL
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9.1 INVASÃO HOLANDESA

9.1 INVASÃO HOLANDESA

Até o século XVI, a Holanda era o principal parceiro econômico de Portugal. Tudo que saía do Brasil para Portugal era destinado diretamente para a Holanda que redistribuía os produtos para a Europa.

A situação se inverteu com a União Ibérica. Holanda e Espanha eram rivais e se enfrentaram na chamada Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648), contando com um armistício entre 1609 e 1621. A Holanda, calvinista, capitalista, contava com a intolerância da Espanha, católica e Absolutista. Em 1621, os holandeses passaram a perscrutar todas possessões portuguesas ao longo do litoral africano e chegaram em Salvador em 1624. Apesar da facilidade em tomar a cidade, acabaram expulsos em maio de 1625.

Para os holandeses, que já haviam criado a Companhia das Índias Orientais e forneciam especiarias vindas do Oriente para toda a Europa, era a hora de retomar o controle da distribuição de açúcar. Por isso, os holandeses voltaram sua atenção para o Brasil, onde planejaram criar a Companhia das Índias Ocidentais.

A tomada de Salvador fracassou, mas os holandeses desencadearam nova carga a partir de 1630 quando tomaram Olinda. Até 1637 houve resistência, mas os holandeses acabaram se impondo. Houve dificuldade a princípio para a produção de açúcar. Os holandeses não dominavam o processo de produção do açúcar e ainda proibiram a prática das religiões africanas, sendo ainda pouco tolerantes, mesmo com os católicos. A princípio foi um tremendo fiasco, corrigido apenas quando os holandeses compreenderam a necessidade de mão de obra escrava e o respeito às religiões praticadas no Brasil.

Em 1637, a chegada de Maurício de Nassau ao Brasil facilitou a administração da Colônia holandesa e foi investido dinheiro para melhorar a infraestrutura da produção. Além disso, foi Nassau quem trouxe artistas flamengos como Franz Post e nos possibilitou ter uma visão de como era a região dos Engenhos no Nordeste no século XVII além de colaborarem com a constituição de reformas urbanísticas em determinados espaços.

Em 1644, enfrentando problemas por conta de gastos administrativos sem retorno seguro, Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais entraram em desavença e o líder flamengo foi obrigado a voltar para a Holanda. A União Ibérica chegara ao fim em 1640 e os holandeses não tinham intenção de devolver o território ocupado para os portugueses. Entre 1645 e 1654 começa uma fase de hostilidades frequentes entre holandeses e luso-brasileiros. Esse período de resistência dos luso-brasileiros contra os holandeses é chamado de Insurreição Pernambucana. Foram várias as batalhas entre as forças de ocupação e os rebeldes, mas a Batalha de Guararapes (1648-1649) ficou marcada pela presença de lusitanos, negros e índios numa força conjunta que derrotou os holandeses de maneira quase definitiva. Além de João Fernandes Vieira, rico proprietário de terras, podemos destacar a participação no conflito de figuras como o negro Henrique Dias e o índio Felipe Camarão. Em 1652, uma guerra entre Holanda e Inglaterra acabou tirando o foco dos holandeses das terras tupiniquins e estes acabaram saindo do nordeste.

Com o rompimento dos laços amistosos e comerciais que haviam entre Portugal e Holanda, era imprescindível para os lusitanos a busca por um novo parceiro econômico que estivesse disposto a consumir os produtos de sua colônia e ainda oferecer produtos manufaturados. Foi assim que em 27/12/1703, foi assinado o Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra, momento em que a Inglaterra passa a ser então o principal parceiro econômico de Portugal.