HISTÓRIA DO BRASIL
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31. FERNANDO COLLOR (1990-1992)

31. FERNANDO COLLOR (1990-1992)

Durante as eleições de 1989, dois candidatos se destacaram: de um lado, Lula, forte representante da nova esquerda, porta-voz da classe operária. De outro, um jovem político, de boa aparência, de discurso firme, Fernando Collor de Melo associou-se a um micropartido, o PRN – Partido da Reconstrução Nacional, sem aliados sólidos no Congresso.

Temerosos de um governo de esquerda, o empresariado investiu na campanha de Collor que venceu as eleições no segundo turno com pouco mais de 42% dos votos. Oposição a Sarney, Collor prometia moralização do governo e ataque à inflação. O Plano Collor, assim denominado seu projeto econômico, mudou a moeda (cruzeiro), o saque de poupadores e correntistas foi limitado e o restante sequestrado pelo Banco Central que devolveria todo o dinheiro após um ano e meio em doze parcelas mensais. A inflação, porém, destruiu as reservas de quem tinha dinheiro nos bancos e todos acabaram prejudicados. Isso ocorre pois o dinheiro no banco era a única forma de minimizar os danos numa época em que a inflação consumia rapidamente o valor dos recursos. A inflação era compensada na poupança. Com o dinheiro parado, a inflação acabou consumindo os valores.

O segundo Plano Collor foi igualmente um fracasso pois apesar da primeira queda da inflação – de 84% para 8% -, logo a mesma retomou sua força. Prefixação dos juros, congelamento de preços e salários mostraram-se ineficazes. O Brasil não era levado a sério no mundo.

Collor ainda abriu a economia brasileira para o mercado internacional. A ideia de Collor era promover um choque de produtos e serviços brasileiros com a concorrência internacional e assim promover uma melhoria dos serviços no país. Foi desenvolvido um programa de privatizações mas que acabou interrompido por escândalos de corrupção em várias instâncias governamentais e a bombástica denúncia feita, em 1992, por Pedro Collor, irmão do presidente à Revista Veja de que Collor e seu tesoureiro de campanha usavam recursos públicos para pagamento de despesas pessoais, além de alguns detalhes sórdidos da vida pessoal do presidente.

Apesar da renúncia de Fernando Collor, o mesmo foi cassado pelo Congresso Nacional, que atendeu também os pedidos das ruas, tendo em vista as massivas manifestações em torno do desejo de impedimento da continuidade do governo do presidente. Por fim, o Congresso suspendeu seus direitos políticos por oito anos. Assumia a presidência o vice, Itamar Franco.