HISTÓRIA DO BRASIL
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13.02 CONJURAÇÃO CARIOCA

13.02 CONJURAÇÃO CARIOCA

O trauma da Coroa Portuguesa com a Inconfidência Mineira demonstrou-se na vigilância permanente. No Rio de Janeiro fora criada a Sociedade Literária, cujo objetivo era reunir pessoas com algum conteúdo para discussões, mas nada de teor prático. Some-se a isso o fato de aumentarem o número de lojas maçônicas na cidade e estava criado o clima para a suspeita de conspiração nas reuniões. Em 1794, a Sociedade Literária foi fechada (existia desde 1711) e seus membros foram presos. O processo durou cerca de um ano, mas, além de alguns livros de “ideologia suspeita”, nada puderam fazer que provasse uma conspiração no Rio de Janeiro.

Sobre o caso, conta Gustavo Henrique Tuna:

"Acusado de conspirar contra a Coroa portuguesa e a religião católica, Manuel Inácio da Silva Alvarenga (1749-1814) foi preso em 1794. Mas ele tinha um bom escudo para combater qualquer suspeita sobre o cultivo de ideais revolucionários: a sede de saber. Não à toa, fundou a Sociedade Literária do Rio de Janeiro em 1786. (...)

Silva Alvarenga também enfrentou percalços em sua atividade de ensino. Junto com o colega João Marques Pinto, professor régio de Grego no Rio de Janeiro, escreveu representações (que eram pedidos ou reclamações) para a rainha D. Maria I, em 1787 e 1793. Nas cartas, protestavam contra a prática de religiosos beneditinos e do Convento de Santo Antônio de atraírem seus alunos para os colégios deles, atitude acobertada pelos governantes locais, os quais também estimulavam os estudantes a preterirem as aulas régias para integrarem as tropas auxiliares. Essas queixas aumentaram a desconfiança sobre Silva Alvarenga e sua agremiação. O Conde de Resende, vice-rei do Estado do Brasil entre 1790 e 1801, determinou o fechamento da Sociedade Literária, a prisão de seus sócios e a abertura de um processo de devassa em dezembro de 1794 – o que acabou ficando conhecido como a Conjuração do Rio de Janeiro."

Revista de História da Biblioteca Nacional, Artigo publicado em 01/02/2013 - endereço eletrônico para o artigo completo: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/retrato/retorica-de-liberdade