HISTÓRIA DO BRASIL
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14. CHEGADA DA FAMÍLIA REAL AO BRASIL

14. CHEGADA DA FAMÍLIA REAL AO BRASIL

Napoleão Bonaparte chegou ao poder absoluto na França em 1804. Seu desejo era promover a Revolução Industrial na França, mas o mercado europeu era controlado pela Inglaterra. Era imprescindível derrotar os ingleses para garantir a produção industrial dentro da França e o consumo desses produtos na Europa. Entretanto, a Inglaterra mostrou-se difícil de bater. Por ser uma ilha, Napoleão precisava enfrentar os britânicos primeiramente no mar e ali os ingleses eram impecáveis.

Em 1807 Napoleão resolveu então impor o chamado Bloqueio Continental, proibindo toda a Europa de fazer negócios com a Inglaterra. Napoleão tinha segurança de que poderia garantir a obediência dentro do continente europeu com o uso de seu exército. O gênio militar de Napoleão era reconhecido. Mas, havia uma pedra no meio do caminho.

Portugal tinha um tratado de comércio e amizade com a Inglaterra de 1703, o Tratado de Methuen. Portugal era dependente das mercadorias inglesas e os britânicos garantiam o consumo dos produtos portugueses, basicamente o que era extraído da colônia. Voltar as costas para a Inglaterra era um risco que o governo de Lisboa não estava disposto a correr. Aqui aparece então a figura de D. João VI, o filho esquecido.

João de Bragança (para resumir seus 11 nomes), era o segundo filho do casamento de Dna. Maria I e D. Pedro III, seu tio. Entretanto, o carinho da mãe residia sobre o filho mais velho, D. José. Este recebeu educação refinada e um carinho enorme, enquanto o segundo, longe da linha sucessória, ficou à mercê de sua condição de príncipe e nada mais.

A situação começou a mudar quando D. Pedro III morreu, em 1786, e a rainha começou a dar sinais de pouca lucidez. Em 1788, aos 27 anos de idade, o favorito de Dna. Maria I morreu de varíola e esta foi acometida de loucura. O reino de Portugal caiu no colo de D. João VI.

D. João VI hesitou em assumir o controle do país que, entre 1792 e 1799 foi governado, na prática, por uma junta. Em 1799 foi empossado como príncipe regente. Mas, é muito importante entender que o contexto europeu influenciou muito a sequência dos fatos.

Napoleão Bonaparte havia tomado o poder na França e dividia o poder com Pierre Roger Ducos e Manuel Sieyés. Era a fase do Consulado, apenas mudada pelo plebiscito feito em 1804 que concedeu a Napoleão poderes totais. O líder francês desejava desenvolver a Revolução Industrial em seu país, mas tinha à sua frente a poderosa Inglaterra que controlava o mercado europeu. Napoleão enfrentou a Inglaterra militarmente e economicamente, sendo bem-sucedido, a princípio, apenas nesse ponto. Foi criado o chamado Bloqueio Continental, em 1806, com o Tratado de Berlim, que proibia a Europa de fazer comércio com a Inglaterra – a Rússia seria a última a ser incorporada ao bloco, após a derrota na Batalha de Tilsit. A ideia seria fazer o continente passar a consumir produtos industrializados da França que, por sua vez, se via obrigada a realizar sua própria Revolução Industrial.

Portugal mantinha tratado de comércio com a Inglaterra desde o início do século XVIII e dependia das mercadorias da Grã-Bretanha. Napoleão esperava a obediência lusitana que, entretanto, custava a acontecer. Em 1801, com a ajuda da Espanha, a França invadiu Portugal na chamada Guerra das Laranjas. Os portugueses perderam um pequeno território. Na América, os lusitanos estenderam seus territórios no Rio Grande do Sul. Após a Guerra, D. João VI passou a tratar Napoleão com cuidado diplomático. Enviava presentes e anunciou a prisão de ingleses e a expulsão de diplomatas. Era tudo um grande teatro, mas por algum tempo serviu para enganar o líder francês.

Em 1807, a situação entre o governo de Paris e o governo de Lisboa se arrefeceu. Napoleão descobriu a trama portuguesa e enviou Junot a invadir Portugal. A D. João VI cabia uma de duas alternativas: ficar e enfrentar o que se sabia ser o mais poderoso exército em terra da Europa ou fugir! Isso mesmo, fugir para o Brasil era um plano antigo, que remontava ao Marquês de Pombal. De acordo com Laurentino Gomes:

“(...)A escassez de recursos demográficos e financeiros e o atraso nas ideias políticas e nos costumes – haviam transformado Portugal numa terra nostálgica, refém do passado e incapaz de enfrentar os desafios do futuro. Com uma população pequena (3 milhões de habitantes) e desproporcional à vastidão do seu império, não tinha meios de se defender ou movimentar sua economia colonial.” GOMES, Laurentino. 1808.

Na pressa, o palácio de Queluz foi “limpo”. Ladrilhos, azulejos, quadros, esculturas, roupas, tudo foi embarcado às pressas para impedir que os franceses pusessem as mãos na Família Real. A Inglaterra se comprometeu a ajudar o deslocamento dos portugueses, favor que seria cobrado em pouco tempo. Eram 43 navios e o grupo de nobres que trabalhavam na Corte, que não passavam de três mil, multiplicaram-se ao ponto de serem entre 10 e 15 mil dentro dos navios!