HISTÓRIA DO BRASIL
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14.01 ABERTURA DOS PORTOS E CONSEQUÊNCIAS

14.01 ABERTURA DOS PORTOS E CONSEQUÊNCIAS

A colônia, muito menos o Rio de Janeiro, estavam preparados para receber aquele mundo de gente. Rapidamente as famílias foram deslocadas de suas casas. Em cada propriedade onde fosse possível encaixar os portugueses, era escrito na frente da casa uma sigla: P.R. que significava Príncipe Regente, mas era interpretado de maneira sarcástica como “Ponha-se na Rua”.

Apesar dos contratempos como o surto de piolhos no navio das mulheres e o desencontro na chegada – D. João VI chegou na Bahia enquanto Carlota Joaquina chegou no Rio de Janeiro – em janeiro de 1808, podemos dizer que foi essencial a chegada da Família Real portuguesa ao Brasil. Em Salvador, D. João VI permitiu a constituição de manufaturas na colônia além de ver cobrado o favor prestado pelos ingleses. Assim, foi decretada a Abertura dos Portos às Nações Amigas.

Além do benefício do fluxo de mercadorias, a chegada da Família Real portuguesa proporcionou ainda o desenvolvimento da Imprensa Régia – o periódico chamava-se Gazeta do Rio de Janeiro -, obviamente controlada pela Coroa, mas uma forma importante de comunicação dentro da colônia. Foi criado também o Banco do Brasil e os correios. Ainda é válido lembrar que em 1815, D. João VI trouxe para o Brasil a chamada Missão Francesa, cuja

A abertura dos portos sutilmente acabou com o Pacto Colonial, colocando os luso-brasileiros em contato com produtos e mesmo ideias do mundo todo. A ideia era a de que os tais portos estivessem abertos à nação amiga Inglaterra, mas mesmo os Estados Unidos aproveitaram a situação para inserir seus produtos no mercado brasileiro.

A Inglaterra não se satisfez com a abertura dos Portos. Logo percebeu que teria dificuldade para concorrer com o mercado “amigo” da colônia portuguesa. Pressionado, D. João VI precisou conceder privilégios diferenciados aos ingleses. Em 1810 foi então assinado o Tratado de Comércio que determinava:

- Produtos ingleses taxados em 15%

- Produtos portugueses taxados em 16%

- Produtos dos demais países taxados em 24%

É notório ainda que os ingleses fizeram D. João VI garantir que não seriam julgados pelas leis portuguesas e que não seriam detidos ou presos no Brasil, o que, se sabe, causou desconforto entre os países. Além disso, a Inglaterra fez o mandatário lusitano garantir que a Inquisição seria extinta, bem como o tráfico de escravos além de permitir a liberdade religiosa, ao menos dos protestantes britânicos.