HISTÓRIA DO BRASIL
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15. INDEPENDÊNCIA - 07/09/1822

15. INDEPENDÊNCIA - 07/09/1822

A saída da família real portuguesa de Portugal deixou o país um verdadeiro caos. D. João VI levou consigo todo o dinheiro do banco nacional e o país passou a ser governado por uma junta portuguesa subjugada a um inglês, Lorde Beresford. Os ingleses ainda colaboraram no esforço de guerra de expulsar os franceses invasores. Em guerra, falido e com o deslocamento do centro de poder para a colônia, a sorte dos portugueses parecia ir de mal a pior.

A proximidade com os franceses trouxe para dentro de Portugal um espírito liberal que foi se arrastando até virar desejo de implantar uma Monarquia Constitucional, diminuindo os poderes do rei. Em 1820 ocorreu então a Revolução do Porto. Apesar de desejarem manter o Brasil como colônia, determinaram que este teria o direito de ser representado por cerca de 70 deputados em Lisboa. A revolta teve repercussão, especialmente entre militares em Portugal – e mesmo no Brasil.

D. João VI agiu com força e mandou matar os líderes do movimento, mas voltar para Portugal deixou de ser uma alternativa e passou a ser imperativo. Os portugueses da corte aprovaram a ideia, enquanto muitos brasileiros, temendo uma recolonização, desaprovaram.

O agora rei de Portugal levou consigo o dinheiro do Banco que havia sido fundado por ele mesmo. Levou 4 mil portugueses e deputados brasileiros para as Cortes portuguesas. Deixou, porém, o filho, D. Pedro, com o desígnio de garantir que se a Colônia viesse a se sublevar, teria como líder o príncipe regente.

As medidas tomadas pelas Cortes portuguesas no Parlamento caminhavam, desde janeiro de 1821 para a restituição do Brasil à posição de uma mera colônia. Essa ação estimulou a organização de movimentos independentistas no Brasil.

A situação no Brasil era complicada para D. Pedro, tendo em vista que seu pai não deixara dinheiro para trás que pudesse ser utilizado na administração da colônia. Quanto aos brasileiros, havia nestes um enorme sentimento de desconfiança que girava em torno do medo da recolonização e a retomada do Pacto Colonial.

D. Pedro sofria a desconfiança dos defensores da independência. Era boêmio e distante da vida política na colônia. Biógrafos de D. Pedro sugerem que nem ele mesmo acreditava que pudesse ser um líder da emancipação.

Portugal pressionava com a reduções dos poderes de D. Pedro, impunha a volta do Pacto Colonial, dentre outras medidas que assustaram os latifundiários e comerciantes brasileiros. Aos poucos, formava-se no Brasil um grupo organizado em favor da independência. Mas, quem seria o líder do movimento? Surgiu então no Rio de Janeiro o clube da Resistência, mais tarde conhecido como Clube da Independência, cujo líder era José Joaquim da Rocha. Dentro desse grupo tomou-se a iniciativa de coletarem assinaturas no Rio de Janeiro para mostrar ao príncipe iniciativa popular. Foram coletadas 8 mil assinaturas. Era o dia 9 de janeiro de 1822. D. Pedro passou a acreditar que poderia fazer a diferença. Entrou para a História o suposto discurso do “Fico”. D. Pedro assumiu sua intenção de “ficar” e lutar pela Independência.

Tomou um pequeno grupo de pessoas e, montados em mulas, foram para Minas Gerais, centro da maior resistência ao príncipe. D. Pedro mostrou grande habilidade ao costurar apoio para a independência em Minas. Desceu até São Paulo e de lá foi para Santos analisar a frota de navios para eventuais combates contra Portugal.

Dentro do chamado “Partido Brasileiro”, duas tendências apareceram como sugestões de administração do eventual novo país. José Bonifácio defendia uma Monarquia Constitucional, enquanto Cipriano Barata defendia até mesmo a implantação de uma República. Ambos concordavam com a Independência.

D. Pedro voltava frustrado de Santos ao ver que a condição dos navios era desesperadora – somente um navio estava – parcialmente – em condições de uso. Descansou na região de Cubatão para chegar a São Paulo no dia 7 de setembro.

Simultaneamente, um ultimato chegara de Portugal ao Rio de Janeiro, exigindo a submissão de D. Pedro à Metrópole, o fim da estrutura política da colônia e sua volta imediata para Portugal. A carta chegou às mãos de Dna. Leopoldina que a repassou para José Bonifácio. A carta vinda de Portugal foi enviada para D. Pedro juntamente com cartas de Leopoldina e Bonifácio.

Mediante o ar de alarme, D. Pedro I enuncia – Independência ou Morte! A partir de então era vital construir um apoio por todo o território brasileiro em busca de apoio para a causa emancipatória. Os militares portugueses que estavam no Brasil articularam imediatamente uma resistência ao novo governo. Maranhão, Pará, Bahia e até Rio Grande do Sul foram os principais pontos de resistência portuguesa à independência do Brasil. Sem recursos para constituir um exército, D. Pedro teve que contar com a ajuda de mercenários ingleses – John Grenfell, John Taylor, David Jewett, dentre outros - e a ajuda financeira de latifundiários.

Na Bahia, ponto de maior resistência portuguesa, surgiu a figura heroica de Maria Quitéria, que para entrar no exército pró-independência, roubou a farda de um soldado, cortou seus cabelos e lutou bravamente contra as tropas do almirante português Madeira de Melo.