HISTÓRIA DO BRASIL
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33. ERA FHC (1995-2002)

33. ERA FHC (1995-2002)

Muita gente não se arrisca a colocar períodos tão recentes nos manuais de História. Isso ocorre pois pode haver muita tendência ideológica e paixão envolvida nas análises dos governos. Os vestibulares têm cobrado os períodos recentes, normalmente associando os governos a fatos, mas mesmo os fatos podem ter perspectivas enviesadas. Seria mais fácil se estivéssemos falando de um governo que ocorreu há 50 anos atrás. Nos permitiria um julgamento mais justo ou uma visão melhor do todo.

O governo de FHC, talvez como todos os outros ou como nenhum outro, tenha pontos fortes e fracos. Ao mesmo tempo em que houve profundo saneamento da economia e aumento do poder de compra de toda a população, houve a criação de programas sociais que aumentaram os gastos públicos do governo.

Numa veia neoliberal, uma série de empresas públicas foram privatizadas. Sem sombra de dúvida, os serviços de telefonia e fornecimento de energia melhoraram significativamente. Sem a necessidade de pagar salários de funcionários públicos que criavam ônus ao Estado, as empresas tornaram-se lucrativas. Entretanto, o dinheiro pago pelas estatais não teve destino claro. Os acionistas das estatais não participaram do processo decisório de venda das empresas. Apesar de discrepâncias internas, o primeiro mandato de FHC foi de estabilidade econômica tal como nunca se viu. As pessoas tinham condições de planejar seus gastos e o mundo começou a ver o Brasil como um país com chances de crescimento e de possível investimento.

A sensação de estabilidade permitiu ao partido governista acreditar que haveria condição política de levar à cabo a ideia de uma reeleição. Alega-se que não havia clima no Congresso para a aprovação de uma emenda constitucional que possibilitasse a reeleição. A memória da Ditadura ainda era muito fresca nos meios políticos. Assim, houve fortes evidências de que o partido governista, o PSDB, haveria emitido pagamento a congressistas-chave para a aprovação da PEC. A reeleição foi aprovada e Fernando Henrique Cardoso venceu seu principal adversário, Lula, mais uma vez no primeiro turno.

O segundo mandato de FHC não foi tão profícuo quanto o primeiro. Apesar da desvalorização do real, a Bolsa Comercial ainda respirava graças ao fato de os produtos brasileiros ficarem mais acessíveis no mercado internacional. No entanto, escândalos de corrupção apontavam o presidente como envolvido em esquemas. Entretanto a base governista conseguiu blindar o governo. No fim de seu mandato, Fernando Henrique enfrentou uma grave crise econômica e o risco país cresceu sensivelmente. A possiblidade de vitória de Lula nas eleições de 2002 fizeram muitos investidores sacarem seu dinheiro do mercado brasileiro temendo estatização de empresas e a adoção de uma política econômica avessa ao mercado no caso de uma vitória petista.

Lula passou a costurar apoio entre o empresariado e abandonou a imagem de um esquerdista marxista que estava colada a sua figura desde os tempos da Ditadura Militar quando liderava greves no ABC. FHC não conseguiu fazer seu sucessor e Lula venceu no segundo turno das eleições de 2002.